" OS MEUS AMIGOS ZOMBAM DE MIM"
(Jó sofre acusações e se defende de todas elas)
Não estranhemos o fato, impossível para nós compreender, que uma visita de conforto e condolência pelas perdas sofridas por alguém possa se estender por tanto tempo. Somente, na chegada, os três amigos ficaram com Jó, em silêncio, durante sete dias e sete noites, como podemos ler no final do capítulo 2.
Naqueles tempos, homens abastados, não tinham que correr atrás do seu "ganha pão". Eles tinham muitos serviçais e servos que se encarregavam de todos os aspectos de sustentação de sua vida, razão por que podiam dar à contemplação e à consolação, como neste caso de Jó, os dias que fossem necessários ao sentimento que desejavam expressar. Esta foi a situação de Elifaz, Bildade e Zofar que, como amigos,queriam demonstrar a Jó todo afeto e consideração que tinham por ele, ficando vários dias ao seu lado.
Outro aspecto que nos deve chamar atenção é que, na época em que a história se desenvolvia, não havia muito que fazer para o homem rico e afortunado. Ele não tinha TV ao seu lado, não dispunha de um jornal diário impresso em sua mesa, nem de um rádio à cabeceira, nem de um computador em sua sala de trabalho ou em casa. Após acordar, deveria ser mesmo um desalento para muitos olhar as 12 ou 15 horas de dia que teriam pela frente sem ter o que fazer.
Tal ociosidade levava muitos deles a se dedicarem às meditações filosóficas e elucubrações metafísicas sobre as realidades da época que não dispunha de um GOOGLE ou de uma enciclopédia na estante que respondesse às suas indagações sobre tais temas.
Por este caminho é que podemos identificar o porquê de um livro com este ter sido escrito para inserir-se na revelação escrita de Deus. Este contemplacionismo de Jó e seus amigos, aproximadamente em dois mil anos antes de Cristo, é o mesmo que no Oriente mais distante, um Confúcio viveu na China nos anos 500 a.C, Gautama Sidarta, Buda, mais ou menos nesta mesma época a Índia, e também os clássicos sábios da Grécia, Platão, Sócrates e Aristóteles nos séculos 400 e 300 antes de Cristo, na Grécia. Remontando a tempos um pouco mais antigos, podemos lembrar que Zoroastro e Zaratustra faziam suas incursões na astrologia que Isaías, inclusive, cita em suas profecias, em plena Pérsia, lá pelos anos 1000 a.C, o que vai resultar nos advinhos e videntes que usam ainda hoje o horóscopo para saber se vão ter um dia bom ou ruim.
Pois bem, era isso que faziam Jó, Elifaz, Bildade e Zofar: Contemplavam os acontecimentos, o dia-a-dia, o que houvera acontecido a um deles, e em cima desses fatos, teciam as suas considerações.
Leia o Livro de Jó... Você vai achar interessante!
Sócrates Oliveira Souza (Conselho Geral da CBB)